Era disso que Leonard Cohen estava falando quando compôs Hey that’s no way to say goodbye.mp3

Vou tirar o band aid bem rápido: tô largando o blog de vez.

Eu não me sinto confortável nem à vontade pra escrever aqui há um tempo (tanto que não escrevo), eu tentei me motivar de diversas maneiras e acabei criando mais pressão em cima de mim fazendo uma coisa megalomaníaca que honestamente eu não tenho nem condição de manter. Além disso muitas coisas aconteceram recentemente envolvendo o blog indiretamente e eu sinto que não sou mais bem vindo no meu próprio clubinho.

uma última stock image por todos esses anos

Eu ainda quero continuar escrevendo, mas aqui eu não vou mais, pelo menos por agora. Se vocês me virem por aí a gente se beija, se quiserem saber por onde eu ando comentem aqui, sei lá, a internet não é tão grande assim.

E quanto a você, Timing Perfeito. ME BEIJE UMA ÚLTIMA VEZ, CANALHA, ME BEIJE E ME DEIXE IR. Se realmente fomos feitos um pro outro, nossos caminhos se cruzarão novamente, então adeus, meu querido, meu amado. Adeus.

A Infiltração do Oriente e a Infiltração do Ocidente (O vazamento silencioso)

Olha gente, eu sei que não é de bom tom chegar depois de tanto tempo contando os problemas financeiros, mas acontece que minha casa tá caindo aos pedaço. Eu já disse aqui, que quando eu inventei de me mudar pra fazer faculdade tudo parecia uma ideia maravilhosa, mas que logo eu descobriria que eu estava MUITO errado. Eu acho que eu esqueci de mencionar que o espaço físico de minha casa tem muita culpa nisso.

Convenhamos que depois de 10 temporadas de friends e 18 anos de casa dos meus pais é normal eu achar que morar sozinho seria super divertido, que eu teria vizinhos legais, que minha casa ia ser linda e decoradíssima, que meu apartamento ia ser a representação dos melhores anos da minha vida e que geladeiras teriam comida. Ninguém me disse que casas seriam tão difíceis de cuidar, nem tão caras. Eu não era burro a ponto de achar que casas seriam auto limpantes, mas eu tinha na minha cabeça que elas ficavam inteiras, pelo menos; mas em apenas dois anos morando sozinho eu passei mais tempo tendo problemas do que não tendo problemas.

Vou contar essa história em capítulos por que eu tô me sentindo meio Lars Von Trier recentemente. Tudo começou com o buraco na parede.

PORÉM DIFERENTE DE MIM LARS NÃO TINHA QUE FICAR
SE PREOCUPANDO COM BURACO NA PAREDE

Capítulo 1 – O BURACO NA PAREDE

Logo no primeiro apartamento o meu quarto tinha um buraco na parede onde costumava ficar um ar condicionado, mas aparentemente a dona não aguentaria ficar longe do seu amado ar e decidiu ARRANCAR ELE COM AS PRÓPRIAS MÃOS, e em vez de tampar o buraco com tijolos e cimento, que é o que normalmente se usa pra fazer paredes, ela me vem com uma placa de MDF e grampeia na parede; e eu não tô exagerando, por que se ela tivesse tapado o buraco com creme dental e papel machê faria mais efeito.

Um dia eu entro no meu quarto e ele está INUNDADO.


foto minha em tempo real durante a inundação

Numa dessas chuvas cotidianas eis que toda a água do mundo decidiu entrar pelo buraco, escorrer pela parede até o meu criado mudo, molhar TUDO que estava em cima dele e inundar meu chão. Eu mantive a calma nessa situação e em vez de me desesperar apenas me joguei na água para que minhas lágrimas se confundissem com a poça e virassem poesia. Depois que eu me recuperei, tirei fotos de toda essa presepada pra ~fazer valer os meus direitos de consumidor e enviei pra imobiliária com o assunto ATÉ QUANDO??

Eu imagino que eles tenham impresso as fotos e usado pra fazer aviões de papel e improvisar tererês nas tranças dos funcionários; por que eu nunca recebi uma resposta. Um ano depois eu já tinha acumulado uma coletânea de 1001 dilúvios pra sofrer antes de morrer e outra de todos os problemas do apartamento que a proprietária apenas se recusava a consertar; daí a gente ficou cansado de ser HUMILHADOS e decidiu se mudar.

Mal sabia eu a ironia do que estava por vir.

Capítulo 2 – A IRONIA DO QUE ESTAVA POR VIR

Nos mudamos. Apartamento novo, pessoas novas, vida nova, quarto novo e sem buraco na parede (eu olhei duas vezes pra ter certeza); tudo era bonito, tudo era novo, a gente aparentemente não tinha mais problemas. Um dia apareceu o vizinho de baixo na nossa porta por que o nosso banheiro estava com vazamento no piso e numa reviravolta alucionante na trama eu estava inundando a casa dos outros.


eu só queria tomar um banho em paz sem que tudo desse errado

Convenhamos que como dessa vez quem estava sofrendo eram os outros a gente se importou menos com o problema e se importou mais com a nossa vida, e quando o proprietário do nosso apartamento demorou pra vir resolver o problema a gente ficou tranquilo, por que não parecia ser tão preocupante. Até que o vizinho de baixo apareceu na porta de novo falando que POR FAVOR O BANHEIRO APODRECEU, OS FUNGOS NOS SUBJUGARAM TOMARAM NOSSA CASA, ALGUÉM PELO AMOR DE DEUS PENSE NAS CRIANÇAS.

A gente arrumou tudo logo depois mas já era tarde demais, por que eu acho que a nossa casa já tinha sido amaldiçoada e tudo começou a dar errado.

Capítulo 3 – TUDO COMEÇOU A DAR ERRADO

Um dia eu coloquei a roupa pra lavar e fui cuidar de minha vida. Daí a máquina começou com um barulho estranho, mas eu ignorei, por que eu não tenho tempo pra me importar com tudo que faz barulhos estranhos na minha vida. Horas depois eu fui perceber que a roupa ja deveria estar pronta, mas a máquina ainda tava funcionando, e nem no ciclo pesado essa lavadora batia tanto minha roupa, por que ela é uma maquinazinha ordinária de ruim. Eu tentei de tudo, tirei da tomada, olhei feio, dei uns tapa, mas depois tive que admitir que a máquina tinha estragado. O conserto saria quase o preço que eu paguei na máquina, então a gente tá há um bom tempo sem máquina lavando as coisas na mão. Mas isso não é chato o suficiente e, como se não bastasse, pouco tempo depois o chuveiro estragou também.

Nada contra banho frio, inclusive sou adepto, às vezes tomo um pra me sentir meio fitness e tal, mas tinham dias em que estava frio e eu não tinha opção se não entrar no banho e chorar, ou gritar desesperado pedindo pra que Deus me levasse de uma vez.

NYMPHOMANIAC-7
queria estar morta

No momento eu estou aproveitando pra ver o lado bom das coisas, eu troquei a resistência de um chuveiro pela primeira vez (e olha que eu tenho um diploma de Técnico em Eletrônica), a gente também vai comprar uma máquina nova agora; uma que seja boa e que limpe as roupas e não deixe elas cheias de manchas e plumas diferente de -C E R T A S- máquinas horrorosas. Também aproveitei o momento pra escrever uma carta pedindo desculpa pro vizinho de baixo e dar uma benzida com arruda na casa, por que prevenção nunca é demais.

Eu sei que tudo isso é parte da vida, ajuda a formar caráter etc mas eu realmente esperava que casas fossem menos caóticas; eu pago aluguel e condomínio todo mês sabe? Eu achava que isso fosse o suficiente pra manter ela de pé.

Ironicamente ou não eu ainda amo essa casa. Ainda falta uma pintura melhor e uns móveis do pinterest pra ser linda e decoradíssima como eu imaginava mas eu vejo potencial nesse apartamento pra ser a representação dos melhores anos da minha vida. Talvez seja a emoção de ter trocado a resistência do chuveiro, ou o chumbo da água subindo pra minha cabeça, mas enfim..

Hoje eu vou mandar pro paredão o Facebook, por motivos de afinidade mesmo nada contra

Então, era mais ou menos março quando eu falei pros meus amigos que eu ia deletar o facebook por que tava puto com tudo e não aguentava mais e tava achando tudo um lixo. Daí eu ia só escrever um textinho aqui pro blog pra explicar pros meus amigos o porquê e tal e assim que tivesse isso feito eu matava o facebook de vez e acabou. Mas eu me enrolei pra começar a escrever, e nesse meio tempo eu perdi meu celular e fiquei sem forma de comunicação com o resto da vida do planeta que não fosse o facebook, daí eu não deletei. Mas como eu sou cidadão honesto da família brasileira, pago impostos etc, eu trabalhei e comprei outro celular..


quem concordas compartilhas quem discorda curtes quer me beija comenta

E agora, finalmente, eu vou deletar o facebook.

“AAAAAAAH MAS SE VOCÊ QUISESSE DELETAR JÁ TINHA DELETADO E NÃO FICAVA NESSA FRESCURA DE FICAR FAZENDO POST JÁ TINHA DELETADO???” Talvez? Mas não é bem assim, veja só. Querer QUERER mesmo eu quis uma vez ou outra. Era quando eu ficava tão puto com todas as pessoas e tanta abobrinha e tudo que falava pra mim mesmo EU VOU É DELETAR ESSA MERDA E EU NÃO QUERO NEM SABEEEER. Aí a gente brigava jogava prato um no outro, era um horror.. Mas fora os momentos de ódio, o resto do processo de decidir deletar o facebook foi uma conversa séria e calma e muito controlada sobre como a coisa já não estava funcionando mais, e se não tá funcionando mais, me desculpa meu bem, foi bom o que passamos juntos, relacionamentos são assim, vamo cada um pra sua casa, rasgar as fotos. E com o facebook foi assim, ou morria ele, ou morria eu.

E pra não gerar confusão, eu quis fazer um texto, por que assim se alguém vier me perguntar por que eu fiz isso eu vou apenas dizer LEIA MEU BLOG e vou colocar meu óculos de sol, acender um cigarro e sair.. (Depois eu vou voltar e apagar o cigarro, por que eu não fumo, e eu não vou ter outro lugar pra ir (mas eu vou ficar de óculos).)


não mirrita, infeliz

Sem mais delongas, e em triologia (como tudo que é escrito hoje em dia), a história do fim do meu relacionamento com o Facebook.

CAPÍTULO 1 – O ÓDIO

Vamos começar pelo motivo de tudo; há um tempo eu venho me irritando com o modo com que as pessoas vêm tratando nossas representações virtuais. Veja bem, o meu facebook, assim como qualquer rede social, não sou eu e não me representa por completo, ele é uma personalidade, baseado na minha pessoa e nos meus comportamentos e pensamentos, mas pensada e toooooda trabalhada pra ter a ver com as pessoas que interagem comigo nessa rede social, e com o conteúdo que é produzido lá. Em resumo, eu não escrevo documentos como eu escrevo no blog, eu não vivo em 140 caracteres do twitter e, principalmente, eu não sou meu perfil no facebook. De todas as redes sociais, o facebook é o que as pessoas mais levam a sério; se eu não curto no facebook eu não gosto, se eu curto eu amo, se eu não sou amigo da pessoa eu odeio ela, se eu compartilho alguma coisa aquela é minha opinião definitiva, e se eu não compartilho é por que eu não me importo com os animais em extinção no tibete.

A coisa piora quando as pessoas acham que o seu perfil no Facebook responde por você na vida real 100% do tempo, e começam a te cobrar por isso. A pessoa não pode ser ativista e jogar candy crush, não pode gostar de música eletrônica e fazer trilha, não pode ver aquilo, não pode ir em tal evento, seu comportamento online deve ser 100% coerente com sua vida social e profissional. De repente toda a sua atuação na vida real fica comprometida pelo que você faz online, ao ponto de empresas procurarem o perfil da pessoa no Facebook antes de contratá-la.. Tipo.. OI? De repente o seu trabalho e sua vida pessoal viraram uma coisa só, e a sua selfie virando um shot de tequila importa tanto quanto seu rendimento no trabalho. Não importa e não deveria, sua vida pessoal e suas opiniões são uma coisa a parte, e isso não determina nada da sua atuação em meio nenhum.

Chega ao ponto da pessoa te marcar e te mandar mensagem pra tratar de um assunto profissional, oficial, ou [[URGENTE]] em vez de te mandar um email ou te ligar.. e ainda fica brava por que você não viu a mensagem dela que era URGENTEEEEEEE, e eu não quero ter que lidar com isso. Eu não quero ter reuniões profissionais no Facebook, eu não quero resolver situações curriculares via DM, eu não quero tomar decisões nos comentários de uma foto, eu não quero resolver assuntos sérios em um espaço onde meu nome pode ser João Gabriel Guarani Kaiowa e minha imagem pode ser a foto um gato sorrindo tirada do google com a legenda ~Uma Ótima Segunda Feira~.

demoniodocomunismoou isso

CAPÍTULO 2 – O AMÔR

Porém também nem tudo são mágoas, e ter um perfil no Facebook já me ajudou e foi até necessário em diversos momentos. Portanto, pra fazer jus a isso, aqui vai uma lista de assuntos e momentos pra qual o Facebook tem sim sua utilidade:

  • O Facebook é ótimo pra encontrar amigos antigos que você achou que nunca mais ia ver e adicionar esse amigos (pra então bloquear eles um mês depois por que descobriu que eles são pessoas horríveis e você tá muito melhor sem eles).
  • Também é muito bom pra encontrar o perfil daquela pessoa que você tá afim & ver todas as fotos, informações, curtidas & descobrir milhares de coisas sobre a pessoa (e depois falar ao vivo com a pessoa & deixar escapar que sabe alguma coisa dela que você teoricamente não deveria saber, & ficar com cara de paisagem por que a pessoa acabou de perceber que você andou investigando a vida dela.)
  • Ingressos VIP
  • Eventos
  • PÁGINAS! Adoro páginas. As páginas são maravilhosas, são um ótimo recurso, funcionam e são uma boa maneira de te manter atualizado sobre os assuntos, sites, empresas e artistas que você mais gosta.
  • Falando nisso, o Timing Perfeito agora tem página no Facebook!
  • Sim eu sei que isso é muito irônico, mas se eu estou deletando o meu perfil eu preciso de um meio pra avisar as pessoas das postagens, né
  • Promoções que te dão uma avalanche de prêmios socorro pêssega
  • Ingressos VIP!?!?!?!?
  • É tão fácil pegar fotos com amigos e páginas e etc..
  • Passatempo
  • Quando você posta alguma coisa e ganha vários likes, daí alguém compartilha a mesma coisa e ganha metade dos seus likes.
  • INGRESSOS VIPEEEEEEEEE

Tudo isso me manteve fiel ao facebook por um bom tempo, e nessas intermitências de deleto/não deleto, esses foram os motivos que me fizeram QUASE não deletar minha conta, afinal de contas INGRESSOS VIP CARA!!!! Esses motivos eram bons o suficiente pra me fazer esquecer que eu odiava o Facebook, mas eis que alguma tragédia acontecia, e eu me lembrava de todos os problemas causados pelo facebook, inclusive pelos ingressos VIP. De repente eu me vi sem saber o que fazer; foi quando eu percebi que era hora de colocar na balança.

 entendeu? por que o gato é gordíssimo colocar na balança: como eu vejo como minha familia vê como lurdes doceira vê como realmente és

CAPÍTULO 3 – LÁGRIMAS E CHUVA

Daí a balança disse: “TÁ MAGRO DEMAIS VAI MALHAR DELETA O FACEBOOK A PRESSÃO TÁ HORROROSA”

Não, agora sério: por mais que o Facebook seja útil e interessante, eu percebi que eu estava aos poucos abandonando tudo que tornava ele útil, pra poder fugir das coisas que eu mais odiava. Eu já não ficava mais online no chat há muito tempo, que era pra não virem falar comigo de assuntos sérios, eu tava parando de seguir pessoas e só curtia páginas que fossem extremamente relevantes. Eu tirei todo mínimo de informação pessoal que eu consegui do meu perfil, deletei praticamente todas as minhas fotos e me desmarquei da maioria.

O pior de tudo foi perceber que mesmo assim eu ainda perdia um bom tempo fazendo nada lá! Eu não tinha jogos, e não ficava fazendo nada de importante, eu só abria e ficava rodando na timeline, balançando a cabeça e rindo naquele estilo risada de internet em que você não emite gargalhadas, você só solta ar do nariz e sorri de canto de boca. E eu ainda perco tempo precioso fazendo isso, e é muito tempo! Pô, pra escrever esse post eu demorei duas semanas, e com certeza muitas dessas horas foram perdidas no Facebook vendo as mesmas imagens 70 vezes. Lógico, eu ainda pretendo usar o facebook, com a página do blog agora, no futuro talvez uma página profisisonal (se é que ainda vai existir quando eu me formar RISOS?), mas perfil pessoal não vai rolar. Eu não consigo parar de sentir que eu poderia estar aproveitando melhor esse tempo, que eu poderia estar escrevendo, que eu poderia estar explorando novos hobbies, tricotando, jogando futebol.. sei lá, tem tanta coisa nessa vida.

A gente tem que saber o momento de cortar as ligações, pra não acabar mal um com o outro, sem vontade, sem respeito. E não é disso que se trata a vida? De encontros e desencontros? Fins e recomeços? Não é fácil saber exatamente quando é o momento certo. Saber assumir esse fim também não é. Mas temos que fazer do fim uma lição, do limão uma limonada, por que às vezes o azedo da vida é necessário. E como eu disse antes, ou iria ele, ou iria eu. E hoje quem vai é você, Facebook.

Vem pra cá, Facebook!

bonita a comoção agora SAIAM DA MINHA CASA

Mulher executiva determinada mirando com arco e flecha

07:50
É UMA SEGUNDA FEIRA E EU ACORDEI ÀS SETE E MEIA DA MANHÃ COM UM GRITO NO CORAÇÃO: HOJE EU ARRUMO A MINHA VIDA!


se prepara sua demônia você tá TÃO na minha

08:20
Tá, tomei um banho, um café, coloquei a roupa do dia. Agora arrumar a vida; por onde eu começo?

08:35
Decidi começar pelo quarto, porque veja só, pra conseguir me vestir eu tive que tomar cuidado pra não pisar nos três cabos, dois livros, quatro sapatos, duas mochilas e uma peça de roupa jogados no chão; meu criado mudo tem tanta nota fiscal que dá até pra pensar que eu tenho controle dos meus gastos; a mesa de estudo tá com tanto papel empilhado que eu tô apoiando meu computador em cima de um livro grosso, que eu poderia estar lendo, mas tô enrolando faz um tempo. Se aquele galera forense muito doida do CSI entrasse no meu quarto eles já iam me prender, por que iam achar que eu sou daqueles maníacos que escrevem cartas com recorte de revista e guarda o dedão das vítimas na gaveta; e verdade seja dita, eu não faria muito esforço pra resistir à prisão por que talvez eu seja??? Eu não sei mais de nada.

09:05
Pra começar a limpeza eu decidi colocar uma música. Estranhamente, a prateleira dos CDs do meu quarto estava impecavelmente organizada, em ordem alfabética e tudo (mas mesmo assim eu demorei meia hora pra escolher qual botar). Primeira pilha de papéis, se prepare.

09:50
CARAMBA ATÉ AGORA EU SÓ LIMPEI UMA PILHA DA MESA E EU JÁ JOGUEI TANTO PAPEL FORA, EU TÔ AMANDO ISSO.

10:50
Eu achei um livro de quadrinhos e de repente eu comecei a ler e OPA perdi uma hora. É assim que eu pretendo dar um jeito na minha vida?

10:55
Eu naõ sei o que eu pretendia fazer com isso mas me deu fome??

aaaawebcam-toy-foto6

11:07
Eu nunca comprei um pacote de halls na minha vida de quem é esse halls e há quanto tempo isso está aqui??

11:10
O QUE EU FAÇO COM TODAS ESSAS MOEDAS, EU ODEIO MOEDAS

11:12
Eu joguei as moedas no chão, agora eu tive que catar tudo

11:14
Eu achei outro halls, e eu não sei que tipo de código é esse por que eu nem gosto de halls?

11:26
Eu não sabia que cabia tanta coisa nesse quarto.. Tem tantos cadernos e papel aqui que eu tô achando que não vou precisar comprar folhas nunca mais na vida, e com certeza tem mais chaves no me quarto do que portas na casa. Eu também tô com essa impressão de que minhas gavetas estão ficando mais bagunçadas à medida que eu arrumo o quarto, mas uma conquista de cada vez, também, né? Não vamos exigir demais.

11:32
Achei duas fitas cassete e não tenho ideia de como elas vieram parar aqui. Elas tão rotuladas como Lembrança da Cruzada de Evangelização.. aparentemente o Pastor Izidoro Rodrigues foi condenado a dezenas de anos e salvo por Cristo na penitenciária. Amém.

11:39
Eu acabei de encontrar uma caixa de fósforos. Agora sim, o halls, os cassetes e as chaves fazem sentido; eu estava construindo uma bomba. Duh, como eu pude esquecer? Só faltavam os ingredientes da lista.

Fica a idéia.

12:01
DESCULPA AMAZÔNIA

Vocês devem estar pensando que eu limpei uma suíte enorme, mas isso tudo veio de uma escrivaninha. Por que assim, existem duas coisas que ficam bagunçadas volta e meia: roupas, que ficam no guarda roupa; e todo o resto da minha vida, essa fica na escrivaninha; e esses são os dois móveis que existem no meu quarto. E de alguma maneira eu consegui essa façanha. Eu não sei se fico preocupado ou impresionado.

Mas assim, agora que tudo isso foi embora eu me sinto mais calmo.. Talvez seja por que eu achei aquele frasco de floral anti stress que eu tinha parado de tomar e deixado na gaveta e virei ele inteiro? Talvez seja. Mas agora eu me olhei no espelho e eu vi aquele fogo da Tyra Banks nos meus olhos gritando pra mim “APRENDA ALGO COM ISSO” e eu sussurei baixinho: “Eu vou, Tyra”, o que provavelmente seria estranho pra alguém vendo de fora; mas pra mim foi incrível e inspirador.

É isso, eu não ligo que só tenha doce de leite e água na geladeira, eu vou sair e vou dar um jeito na vida como eu dei no meu quarto; e pode até ser uma alucinação causada por overdose de floral, mas eu consigo sentir algo dentro de mim me dizendo que AGORA VAI, BRASIL!

20:30
Ok, dar um jeito na vida é mais difícil do que parece, e pelo visto custa dinheiro???? Eu acabei de chegar em casa e agora eu tô triste, por que eu percebi que eu saí daqui tão animado pra andar num raio de sol que esqueci de jogar aquele lixo todo fora. E agora eu tô com preguiça.. acho que a Tyra me largou no meio do dia.. Cadê aquela receita da bomba?

21:00
Meu deus, ainda bem que tinha doce de leite na geladeira (mas agora não tem mais, acho que vou comprar mais um..)

21:15
Comprei três doces e um bolo.. e olha, eu até me sinto bem.. Ainda bem que eu dei um jeito na minha vida.

meu corpo diz vamos mas meu coração diz PÉÉÉÉN RESPOSTA ERRADA

Quando eu inventei de me mudar pra fazer faculdade tudo parecia uma ideia maravilhosa. O que que poderia dar errado? O curso era o que eu queria, a cidade é linda, cartão postal, muito sol, paz e luz. Eu ia ser feliz, eu ia estudar e conhecer pessoas maravilhosas com vários professores incríveis usando óculos de acetato e eu ia fazer vários trabalhos incríveis e ganhar dinheiro prestígio respeito independência e passar o resto dos dias tomando champagne, deitado na minha banheira de monange vendo o dinheiro das ações cair na minha conta.

ONDE FOI QUE EU ERREI?

NÃO, SÉRIO.

Por que assim, eu sei que dois artigos e um estágio que pague 2 mil reais é pedir demais, mas eu achava que aos vinte anos de idade eu já não estaria mais chorando por causa das lâmpadas da minha casa. Do começo: no começo das férias eu me mudei de casa em Florianópolis, quando a mudança tava sendo feita eu já tava de volta na minha cidade natal pra passar as férias lá. Uma semana depois do meu aniversário, eu voltei pra caá pra trabalhar. Quando eu cheguei eu vi pela primeira vez a casa que seria minha daqui pra frente, conheci meu quarto, os banheiros as janelas e tal. O apartamento é lindo eu amo ele, eu fiquei me sentindo o mulher do sex and the city só que sem nova york, o glamour, o dinheiro, os cosmopolitans, as roupas, o closet, o amor, o prestígio, o respeito, a dignidade EU ERA FELIZ.

24 horas depois, eu estava sozinho em casa, era uma sexta com cara de domingo, e tudo começou a desabar. As lâmpadas da casa eram incandescentes, o quarto tava sujo e bagunçado, a geladeira tava com cheiro de leite derramado, as lâmpadas eram incandescentes, tava quente igual o inferno, não tinha internet, as lâmpadas eram incandescentes, meu celular não funcionava direito, não tinham ventilador a venda em lugar nenhum na cidade e tava quente igual o inferno, as lâmpadas eram incandescentes e elas esquentam e tava quente igual o inferno, minha cama tava desmontada e eu não consegui montar, meu olho tava vermelho sangue de alergia de alguma coisa da casa, AS LÂMPADAS ERAM INCANDESCENTES QUEM AINDA USA ISSO?


ou como o supermercado escreveu, em sotaque britânico 

Daí eu me desesperei e tive um ataque de ansiedade e chorei.

Eu não quero focar no meu desespero e choro, até por que muito tempo foi perdido nisso; mas saibam que graças o bom coração de uma amiga eu fui salvo. Vamos cortar a cena aí e avançar um pouco no tempo, eu estou na minha casa e tudo parece ótimo, nem parece fim do mês, nem parece que existem lâmpadas incandescentes no mundo.

Eu achei que tudo fosse ser tão diferente. Lógico que eu não achei que fosse ser fácil, mas eu achei que as dificuldades da vida seriam gradualmente superadas, que iria rolar uma epifania, depois uma daquelas cenas-montagem da pessoa se esforçando na vida, fazendo academia, montando uma mesa e usando roupas melhores; mas eu não sinto como se eu tivesse aprendendo lições, e eu com certeza não estou montando uma mesa. Eu não to aprendendo nada da vida, eu to aprendendo a chorar, e eu vou graduar em chorar antes de graduar no meu curso. Na real eu sinto como se eu tivesse preso em um clipe do Coldplay, com pessoas olhando pela janela e aquelas coisas em câmera lenta. As pessoas choram em clipes do Coldplay? Eu acho que elas choram.


Viva la vida loca

De qualquer forma, isso é mais um desabafo do que tudo. Vocês se sentem assim ás vezes? Como se a cor de uma lâmpada fosse te impedir de ser feliz pelo resto de sua vida? Como se suas escolhas não fossem te trazer conquistas e sonhos, apenas solidão e lâmpadas incandescentes? Como se o vazio existencial do seu ser fosse te engolir antes mesmo da última prestação do carnê?

Só posso torcer pelo melhor.

Com vocês, Quarta Feira.

Quartas feiras sempre foram um problema pra mim, e depois que eu inventei de fazer esse blog só piorou, por que daí eu tinha que me preocupar em fazer as porcarias dos posts semanais. Mas agora as coisas vão mudar, eu vou fazer os posts na quinta feira. Não, brincadeira, eu tô atrasado mesmo; mas uma coisa que vai mudar é que eu não vou me forçar a fazer isso toda quarta. Se eu tiver material pra isso bom, se não paciência, faço quando puder, não devo nada a ninguém.

Então, pra começar o ano vamos focar no começo do ano. Desde que esse 2014 começou eu honestamente não posso dizer que estou passando pelo momento mais feliz da minha vida E É ASSIM QUE EU COMEÇO O ANO, SRAS E SRS, e eu estava animado pra esse ano, mas força que melhora. Enfim, eu me dei com uma pá de coisas que me deixam felizes e que eu fico com vontade de ver de novo e de novo, por que sim. A primeira delas é uma promessa, no caso de um álbum, por que desde que Metronomy lançou I’m Aquarius eu tô ouvindo e vendo esse lindo clipe e esperando pelo cd.


me leve pras alturas, banda maravilhosa

Metronomy é uma das minhas bandas favoritas e eles lançaram três álbuns maravilhosos em uma patada, um deles é uma das coisas mais inspiradoras que eu conheço, o Nights Out, recomendo 10/10. Ainda nessa vibe eletrônica/psicodélica, um site que eu não me canso de visitar é o cachemonet.


sutil

Cachemonet é um site gerador de arte aleatória, baseada em imagens curadas do tumblr, com uma música ótima de fundo (se chama Windowdipper, e essa música me viciou dum tanto). Parece bobo, e provavelmente é, mas tem 50% de chance de te viciar também, então eu tomaria cuidado.

Coisa que acabou de me deixar feliz também foi ler esse texto aqui, que nessa época tá mais necessário que tudo. se chama Pelo fim da patrulha do gosto alheio, e pede o fim da patrulha do gosto alheio. Não dou spoiler, leiam.


chupada do texto, auto explicativo

Agora a coisa mais maravilhosa foi esse vídeo. Se vocês quiserem ouvir a um apelo meu ouça este: veja. This Actually Happens A Lot do animador Tom Law, que inclusive tem uma pá de animações maravilhosas, mas essa, gente, fico sorrindo bobo..


sutil (de vdd)

Outra e última coisa a me deixar sorrindo bobo é o primeiro e único e homônimo cd do Suburban Lawns. Conheci no finalzinho do ano passado, no blog do Séamus Gallagher, aquele quadrinista que eu falei aqui. É divertido, rápido de ouvir, às vezes é mais explosivo, com uma leve gritaria, mas no geral é um tipo de post-punk animadinho (não faz muito sentido, tô ligado). Janitor, a música mais conhecida deles, dá até pra ouvir com a mãe que ela vai achar divertida, nem vai pereber que o filho tá escutando música obscura dos anos 80 e sendo uma decepção pra família..


pra ouvir Janitor clica na imagem, pra baixar procura no google que ninguém aqui é teu empregado

E é cantando “I’m a Janitor. Oh my genitals!” que eu encerro essa encomenda atrasada. Espero que curtam o novo formato, acho que vai me facilitar escrever essas coisas.. Digam o que acharam, se quiserem, se não quiserem eu não tô nem aí.

Mixtape – A morte de tudo o que você já foi

capa
baixe / ouça

contracapa

“Com a morte de cada homem termina um universo cultural específico, mais ou menos rico mas sempre original e irrepetível. O que o homem deixa quando morre – os seus escritos, os objectos culturais que criou, a memória da sua palavra, dos seus gestos ou do seu sorriso naqueles que com ele viveram, os filhos que gerou – tudo exprime uma realidade que está para além do corpo físico, de um certo corpo físico que esse homem usou para viver o seu limitado tempo pessoal de ser homem.”

Um planta nascendo é processo tanto de vida quanto de morte; uma “criação destrutiva”, em que semente é destruída à medida que a planta cresce.

13 álbuns de 2013 pra 2013

Essa é a última lista que eu faço em 2013. Sim, eu sei que já é 2014, mas eu começei a fazer em 2013 e são de álbuns de 2013 então silêncio que eu tô certo. Eu realmente deiei de acreditar na eficiência dessas listas numeradas de “melhores tais”, de modo que a idéia dessa lista nao foi fazer um top 10, nem colocar os melhores álbuns, nem meus favoritos, nem os que eu mais ouvi. São 13 ótimos álbuns de 2013, escolhidos pelo conjunto de sentimentos e sensações que eles evocam e a proximidade desses temas com o ano que passou, pelo menos pra mim. Sei que álbuns ótimos ficaram de fora dessa lista, fiquem à vontade pra sugerir e fazer as suas versões.

Em ordem alfabética, os 13 álbuns de 2013 pra 2013:

ANTES QUE TU CONTE OUTRA, do Apanhador Só, para a relutância.

Aquela sensação de murro na boca do estômago, que te assola e nada explica, traduzida lindamente em música. “[…]capturou um dos sentimentos mais necessários e urgentes de um ano tão conturbado: a desconfiança” como disse muito bem esse texto. Vai ler ele inteiro.

CADAFALSO, do Momo, para a solidão.

Cadafalso (substantivo) é um palco aberto onde se executa alguém. Momo jura que “ninguém vai morrer pela lâmina da faca”, mas as músicas, Bossas lindas e melancólicas, são a sua confissão, seu julgamento e sua execução. E por mais que ele diga que “você nunca mais andará sozinho”, o álbum soa mais como um monólogo do que como uma reunião.

EXCAVATION, do The Haxan Cloak, para a morte.

Eu realmente acredito que música tem poder, então eu já aviso pra tomarem cuidado com esse cara. Haxan Cloak cria música eletrônica, ambiente, industrial, sobrenatural.. Excavation é um ensaio complexo sobre a morte como jornada, processo contínuo, mais do que como evento, ou ponto final da história; e é tão assustador e pesado quanto parece ser.

FIELD OF REEDS, dos These New Puritans, pra se desconstruir.

TNP criaram uma obra perfeita tecnicamente: um álbum lindamente costurado e conceitualizado, que poderia muito bem ser uma ópera. Conta a história de dois amantes vagando, que na esperança de estarem juntos de novo, se perdem cada vez mais em labirintos, em mares escuros, em ilhas mágicas e em si mesmos.

IMMUNITY, do Jon Hopkins, pra curar.

Hipnótico, delicado, impactante, eu podia escrever uma página de adjetivos sobre Immunity e seu universo, ao mesmo tempo enorme e microscópico. Eletrônico IDM de ambientação, tem camadas suficientes pra te botar pra correr mas também pra te deixar meditando enquanto boia na imensidão.

INNOCENCE IS KINKY, da Jenny Hval, pro sexo.

Não, não é música pra ouvir durante o sexo (NÃO). É um álbum experimental, gutural, cru, chocante, que põe em cheque nossa relação com o sexo, sua essência; natural demais pra ser tratado como tabu, mas sobrenatural demais pra ser banalizado. Pra botar as definições e regras de cabeça pra baixo.

ONCE I WAS AN EAGLE, da Laura Marling, pela vida.

Laura Marling em novas experiências com o folk, menos country, mais serena, mais feliz. Isso é música pra celebrar as coisas grandes da vida, suas conquistas, suas independências, suas ambições, suas felicidades e até a própria vida, sem economias.

REFLEKTOR, do Arcade Fire, para a luz.

Eu não consigo definir ao certo o tipo de música que Arcade Fire faz, mas é linda. Quando você acha que tem eles na parede, eles fazem isso. explorando tudo que é sonoridade possível, eles entregam uma obra que joga luz na pós-modernidade e na tecnologia, e em como isso afeta a nós humanos, nossas relações, a arte, a música, a espiritualidade.. e quão longe estamos dispostos a ir pra nos conectar.

SHAKING THE HABITUAL, do The Knife, para a liquidez.

Teve essa época em que eu tinha a sensação de que tudo tava muito errado, de eu não fazer sentido em meio nenhum, de não poder se agarrar a nada. Tentando explicar esse sentimento eu disse pra uma amiga que eu tava me sentindo líquido e todo o resto era sólido. Do título à capa, incluindo as vinhetas ambiente de vinte minutos, o álbum de eletrônico experimental evoca essa sensação de não pertencer; de não encaixar; e escorrer.

SILENCE YOURSELF, das Savages, para o silêncio.

Nas palavras das próprias: “E se o mundo se calasse, mesmo que por um minuto, talvez nós começaríamos a ouvir o ritmo distante de um som jovem e raivoso e iríamos nos recompor. Talvez, tendo desconstruído tudo, nós deveríamos pensar em botar tudo de volta no lugar. Fique em Silêncio.” Nada a acrescentar.

SLEEPER, da Carmen Villain, para o frio.

Carmen era uma modelo de revistas globais, Vogue, Elle, Marie Claire. Toda convenção machista e esnobe estraçalhou aos seus pés quando ela lançou um álbum de músicas que ela escrevia e compunha em segredo durante suas viagens de trabalho, inspiradas na sonoridade de bandas como Sonyc Youth, Broadcast, com influências de música experimental, drone, country e até metal. Uma peça ao mesmo tempo tão íntima e pessoal quando crua e densa, que soa como o vento de inverno soprando no seu ouvido.

TO SEE MORE LIGHT, do Colin Stetson, para a redenção.

Colin Stetson cria música que se situa em um estilo próprio, uma mescla de folk, industrial e erudito. Com um só instrumento e alguns vocais emprestados, ele te põe pra lutar contra seu animal interior, pra ser abandonado, pra se tornar outros seres e, por último, pra se redimir com si mesmo.

YOU HAVE ALREADY GONE TO THE OTHER WORLD, do A Hawk and a Hacksaw, para a espiritualidade.

Evoluindo a própria sonoridade de uma maneira absurda e alternando entre criações próprias e versões de músicas Hutsul antigas, a banda criou uma obra tão rica quanto suas referências. O álbum, que funciona como a trilha sonora de um filme de 1964, parece realmente vir do outro mundo, e serve de trilha sonora para tentar encontrar sua própria espiritualidade, que seja única e sua.

Agora sim, vamo pra 2014 :)

então é natal e AI MEU DEUS O QUE VOCÊ FEZ??

Acontece que eu não confio em cabeleireiros; eu não vou confiar em ninguém que tenha 43 tipos de lâmina em uma gaveta e permissão pra manipular formol. Quando eu me mudei de cidade eu tive que abandonar milhares de coisas, incluindo uma das poucas (2) pessoas que eu confiava pra cortar meu cabelo e, desde então, não achei nenhum profissional que chegasse perto. UMA ÚNICA vez eu cortei com um cara legal, mas daí ele desapareceu (sério). Os outros cabeleireiros todos de certo que são pessoas invejosas no caminho do meu sucesso e fizeram tudo de propósito, por que puxa vida, não é mole não.


OLHA SE ISSO É CARA DE INOCENTE? NOSSA ROSÁLIA, COMO VOCÊ É BAIXA!

De modo que eu prefiro cortar meu cabelo com meus amigos ou cortar eu mesmo do que qualquer cabeleireiro, e é isso mesmo que eu faço. Partindo da ideia que cabelo cresce e de que cortes de cabelo de graça custam zero reais, eu comecei deixando uma amiga minha cortar (ficou ótimo) e assim fui até que estava eu próprio cortando, com aquelas máquinas de cortar o cabelo. Foi tranquilo, não doeu nada, e não ficou ruim; o problema é que eu comecei a achar que eu manjava das putaria mais do que eu realmente manjava.

Dia 24 de Dezembro, véspera de natal, a festa começava em cinco horas, eu invento de cortar o cabelo, pra ir pra festa todo trabalhado na higiene e cuidados pessoais. Meu cunhado tinha uma máquina e um espelho de mão. O QUE PODE DAR ERRADO?

Dois minutos depois, minha irmã tava segurando o espelho -enquanto- passava a máquina na minha cabeça, eu pedi pra ela virar o espelho um pouco por que eu não tava vendo direito e TINHA UM BURACO NA MINHA CABEÇA. Daí eu gritei: “TEM UM BURACO NA MINHA CABEÇA” e minha irmã riu, da segunda vez que eu gritei ela olhou, não riu, largou a máquina e foi chamar ajuda. A ideia era passar a máquina na lateral do cabelo no tamanho 3, mas tava parecendo que eu tinha alopécia por que tinha literalmente um buraco quadrado que mostrava meu couro cabeludo.

 


(insira piada com carolina dieckman)

Meu cunhado chegou pra arrumar as coisas e começou a passar a máquina na lateral toda, por que agora tinha que nivelar tudo.. E a máquina, que era pra ser no tamanho 3, foi me deixando com nenhum cabelo, e eu sentia o vento batendo na minha cabeça e meu cabelo caindo no chão e eu comecei a desesperar por que eu tava ficando careca e de repente todo meu discurso de “cabelo cresce” foi embora por que NÃO EU NÃO TÔ PREPARADO PRA FICAR CARECA, SOCORRO??

E de repente eu tava careca na parte de baixo do meu cabelo. TÁ. Respirei, superei. Afinal de contas fui eu quem quis economizar QUINZE REAIS QUAL É O MEU PROBLEMA? Fomos pra parte de cima. Se a máquina me deixou careca no que era pra ser o 3, a parte de cima, que era pra ser na 4 agora ia ser na 8, por que agora eu precisava economizar cabelo. EIS QUE o tamanho 8 da máquina era do tamanho que o 3 TINHA que ser! De uma hora pra outra o maior fio de cabelo da minha cabeça era minha sobrancelha.

Eu fiquei um bom tempo sem entender qual foi a reforma métrica do sistema que fez com o que o número que eu sempre passei no cabelo ficasse dez vezes menor, mas tudo fez sentido depois. O que importa é aprender com os erros da vida, e a lição que fica pra vocês é que MÁQUINA DE CORTAR O CABELO NÃO É A MESMA COISA QUE MÁQUINA DE BARBEAR, por que uma delas vai cortar o seu cabelo e a outra vai destruir seus sonhos, corromper seu ser e te deixar parecendo um punk que ficou pra trás no movimento.


NOTA 0 DE 10. NÃO RECOMENDO

Tô apelando pra receita caseira de tônico por que, não importa o quanto eu repita o mantra de que cabelo cresce, ele não cresce tão rápido assim; sem contar que perucas custam caro, e as baratas são tão falsas e mentirosas quanto as máquinas que causaram essa tragédia.

Fecho esse texto com um apelo: boicotem maquininhas, se tentarem passar isso na sua cabeça você cospe na cara da pessoa e fala pra ela “VOCÊ NUNCA MAIS ME VENHA COM UMA SUJEIRA DESSA” enquanto aponta o dedo na cara dela bate o pé no chão. Não compactue com o mal, corte de cabelo só com tesourinha.


★ é linda e colorida ★ não é falsa dissimulada  corta o cabelo fica lindo